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DuPont e JBS abrem primeira fábrica de insumo de biodiesel

Metilato de sódio era até agora importado. Basf também vai disputar esse mercado, que está em expansão

O avanço no uso de fontes renováveis de energia, como o biodiesel, está levando multinacionais do setor químico a produzir no Brasil os insumos que até agora eram importados. A americana DuPont, emparceria com a gigante de carnes JBS, acaba de inaugurar sua fábrica de metilato de sódio, o catalisador mais eficiente usado na produção do combustível, em Pirapozinho, interior de São Paulo. A Basf pretende inicar as operações da sua primeira unidade de produção fora da Alemanha no complexo industrial de Guaratinguetá, também em São Paulo, no segundo semestre de 2011.

“A DuPont vem analisando o mercado demetilato de sódiohá bastante tempo e vimos agora uma oportunidade de crescimento”, afirma Vinicius Soares, executivo da Divisão de Soluções Químicas da empresa na América Latina. “O Brasil está entre os cinco maiores consumidores de biodiesel do mundo e pode crescer mais ainda”, diz José Luiz Medeiros, diretor executivo de Novos Negócios da JBS. A aliança entre as duas empresas foi negociada no fim do ano passado, antes mesmo de a JBS adquirir a Bertim, uma das pioneiras na produção de biodiesel no Brasil.

Problemas logísticos

Hoje, a JBS produz biodiesel a partir de gordura animal e óleos vegetais em duas unidades - em Lins (SP) e Colider (MS), num total de 240 mil metros cúbicos por ano. A DuPont é líder na produção de metilato de sódionos Estados Unidos e é uma das maiores do mundo. Mas até recentemente era obrigada a importar o insumo para abastecer o mercado nacional. Essa dificuldade trazia problemas de logística e eficiência que afetavam os produtores e prejudicava o crescimento do mercado. O consumo nacional de biodiesel é da ordemde 2,3 bilhões de litros para esse ano, o que significa uma demanda entre 40 mil e 60 mil toneladas de metilato de sódio só para uso no mercado interno. A fábrica de Pirapozinho, cujo investimento não foi revelado, começou a operar este mês, produzindo 15 mil toneladas do catalisador, mas com capacidade de produção para alcançar 60 mil toneladas.

As duas empresas apostam no aumento da produção do combustível. Segundo estudos realizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), cada litro da mistura de biodiesel no óleo diesel comum diminui em3% as Emissões de dióxido de carbono, além de reduzir a emissão de materiais particulados. “Hoje é obrigatória a mistura de 5% (naformulação B5), mas existem conversações para chegarmos no B10 (10%) e algumas empresas brasileiras falam em B20 (20%)”, afirma Medeiros.

Expansão do mercado
Por causa disso, a fábrica foi construída em módulos. Atualmente, começa a abastecer os produtores do oeste paulista, mas, segundo o modelo de negócios da DuPont, pretende acompanhar o mercado onde ele estiver. “Temos condições de rapidamente estabelecer a infra-estrutura em outro estado”, afirma Soares. O representante da DuPont não quis revelar qual a expectativa de faturamento da empresa com o metilato de sódio. O insumo da DuPont, chamado Niapure, é produzido pela reação direta do sódio metálico com ometanol, o que eleva a sua pureza.Oproduto é usado tambémno processamento de alimentos, petroquímicos, plásticos, e pela indústria farmacêutica.

COMBUSTÍVEL
2,3 bilhões de litros é o consumo anual de biodiesel, o que faz do Brasil um dos cinco maiores produtores do mundo. O biodiesel é misturado numa proporção de 5% no óleo diesel para veículos.

CATALISADOR
60 mil toneladas do metilato de sódio são suficientes para abastecer o mercado interno, mas fabricantes estimam que demanda vá aumentar. O produto funciona como um catalisador do biodiesel.

Meio Ambiente
3%
É a diminuição das Emissões de dióxido de carbono em cada litro de óleo diesel comum com 5% de mistura de biodiesel. O processo também diminui as Emissões de materiais particulados.

 

Publicada em: 28/07/2010
Brasil Econômico | Martha San Juan França


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